Os intelectuais do Oceano

   Você deve estar pensando que o texto abaixo irá contar a história dos diversos pesquisadores, filósofos e descobridores que desbravaram ou teorizaram os conhecimentos que temos hoje sobre o mundo marinho. Não teria como você estar mais errado.

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   No artigo abaixo iremos contar um pouco sobre os animais invertebrados, ou seja, grupo de organismos que não possuem coluna vertebral, que possuem a maior rede neural entre os organismos de seu grupo de todo o oceano. Iremos falar sobre os cefalópodes. 

   O termo cefalópode vem do grego, no qual Kephale significa “cabeça”, e Pode, significa “pé”; ou seja, seriam um grupo de animais onde os “pés estariam ligados à cabeça”. A classe dos cefalópodes, que inclui os polvos, lulas, sépias e os Nautilus, pertence ao Filo Mollusca, logo este animais são parentes próximos dos caramujos e ostras.

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O animal da esquerda é um polvo, que possui 8 braços, enquanto o da direita é uma lula, que possui 10 tentáculos.

   Os moluscos são marcados pela existência de uma concha, que pode ser externa como no caso dos caramujos e Nautilus, interna, como no caso da lula; ou que pode não existir, algo que ocorre com os polvos, explicando o motivo da grande plasticidade de movimento do animal.

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Imagem de uma sépia, animal que possui 8 braços e 2 tentáculos, que podem ser projetados com grande rapidez.

   Os cefalópodes possuem 8 braços , no caso do polvo, ou 10 tentáculos, no caso das lulas; os Nautilus podem possuir mais de 40 tentáculos. Os polvos e lulas possuem braços ou tentáculos com ventosas, o que garante o capacidade de segurar o alimento. Os animais pertencentes a esta classe são marcados por possuírem seus “pés” ao redor da boca, algo que facilita sua alimentação.

   Como dito no artigo do site Vivendo Ciências os cefalópodes possuem um sistema digestório completo, ou seja, possuem boca e ânus, que são ligados pelo trato gastrointestinal. Outro artigo do site Vivendo Ciências nos informa que o sistema circulatório dos moluscos é aberto (nem todo o sangue percorre o corpo dentro de vasos sanguíneos), entretanto seria correto informar que os cefalópodes possuem um sistema fechado, o que garantiu a maior atividade metabólica destes animais.

Cenas do filme “Procurando Dory”. Créditos na imagem.

   Um coração do polvo é dito sistêmico, já que envia sangue para o corpo, enquanto os outros dois são branquiais, por enviarem sangue para as brânquias. O sangue destes animais é de coloração azul já que existe um pigmento chamado hemocianina no sangue. (BARNES et. al, 1996).  Por isso podemos dizer que a peixinha Dory no filme Procurando Dory falou de maneira correta sobre a biologia do polvo Hank.

   Quando dissemos no início do texto que os cefalópodes são os invertebrados mais inteligentes do mar estávamos nos referindo ao complexo sistema nervoso que estes possuem. O sistema neural dos cefalópodes é tão extremo que existe a formação de um cérebro grande que circunda a região anterior do tubo digestivo; este sistema ainda está ligado a nervos ópticos, que garantem uma visão desenvolvida nestes animais. (BRUSCA et. al, 2011).

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Olho esquerdo de um Nautilus, um representante da classe dos cefalópodes. Dentre todos os representantes desta classe, os Nautilus possuem a visão menos desenvolvida.

   Se já não bastasse a grande inteligência dos polvos e lulas, muitos deles têm a capacidade de alterar a cor e textura do corpo – através de estruturas chamadas cromatóforos –  bem como brilhar no escuro (fenômeno de bioluminescência) por meio de estruturas chamadas fotóforos, além de soltarem tinta quando se sentem ameaçados. (BRUSCA et. al, 2011). Tal técnica serviu de inspiração para a criação de uma estrutura capaz de alterar de cor como foi noticiado pelo site Ciência Hoje das Criançasentretanto na época tal equipamento era extremamente limitado.

  No vídeo abaixo, podemos ver um trecho do documentário The Blue Planet: A Natural History of the Oceans no qual é mostrado a lula-pirilampo, animal que habita as grandes profundezas e utiliza o fotóforo para emitir luz, utilizando-a para a caça de alimento e defesa de predadores.

   No próximo texto discutiremos um pouco mais sobre a capacidade de camuflagem dos cefalópodes, bem como seu mecanismos de reprodução.

   Por João Pedro Broday

Fontes:

CLASSE CEPHALOPODA. Simbiotica.org. Disponível em <http://simbiotica.org/cefalopoda.htm&gt; Acesso em 8 nov. 2016.

BIVALVES E CEFALÓPODES. Só Biologia. Disponível em <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos2/moluscos2.php&gt; Acesso em 8 nov. 2016.

BRUSCA, R. C; BRUSCA, G. J. INVERTEBRADOS. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

RUPPERT, E. E; FOX, R. S., BARNES, R. D. ZOOLOGIA DOS INVERTEBRADOS.. 6ª Ed. São Paulo: Roca, 1996.

FILO MOLLUSCA. Só Biologia. Disponível em <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos2/biomoluscos.php&gt; Acesso em 8 nov. 2016.

MARIA, A. SISTEMA DIGESTÓRIO: COMPLETO E INCOMPLETO. Vivendo Ciências. Disponível em <http://www.vivendociencias.com.br/2011/09/sistemas-digestorio-completo-e.html&gt; Acesso em 8 nov. 2016.

MARIA, A. SISTEMA CIRCULATÓRIO. Vivendo Ciências. Disponível em <http://www.vivendociencias.com.br/2010/11/sistema-circulatorio.html&gt; Acesso em 8 nov. 2016.

TOSCANO, G.CAMUFLAGEM ANIMAL. Ciência Hoje das Crianças. Disponível em <http://chc.org.br/camuflagem-artificial/&gt; Acesso 8 nov. 2016.

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