Conhecimento virtual sobre Transgênicos

   Muitos são os assuntos que dividem a opiniões de uma população, entretanto para conseguir se posicionar diante de uma polêmica é preciso ter o mínimo de entendimento desta e seus impactos para a população. Com base nesta perspectiva, a publicação que se segue tem como objetivo avaliar as informações que são transmitidas virtualmente sobre os transgênicos, esclarecendo sua origem e funcionamento, permitindo assim, que os leitores sejam capazes de opinar positiva ou negativamente sobre o tema.

   Uma rápida busca por blogs de ensino de Ciências demonstrou o quão escasso é o material relacionado aos transgênicos, entretanto alguns blogs e até páginas de universidades possuem notícias sobre o mesmo, porém sem explicar como é feito tal material.

   A página Ciência na Mídiapublicou uma matéria na qual apresenta uma sequência de slides com a temática de Biotecnologia e entre um deste, afirma que todos os organismos existentes descendem de um ancestral comum. Entretanto não explica como é realizada a mutação entre os indivíduos e seu melhoramento, ou seja, não explica o que são e como são produzidos transgênicos.

 Dentre as referências citadas pela matéria do blog acima, está o material intitulado Transgênicos em debatena qual é explicado como um transgênico é obtido e suas funcionalidades. O texto por possuir figurar e linguagem de fácil acesso pode ser útil para o ensino de crianças nos últimos anos do ensino fundamental. A definição de transgênicos segundo o texto é:

   “Os transgênicos são seres vivos criados artificialmente com técnicas que permitem transferir genes de um organismo para outro, o que pode alterar ou até anular algumas caracte´risticas específicas do organismo ou criar outras características antes inexistentes naquele ser vivo.” (MASSARINI et. al, 2007). 

  A afirmativa vai de encontro com aquela passada pela página da Unesp de Botucatu, Engenharia Genética: Benefícios e Perigosno qual afirma que a prática da transgênese é baseada na ideia de que o código genético é universal, logo é possível transferi-lo entre organismos. 

    Seja no texto sobre os Transgênicos ou na página da Unesp é comum a explicação de como se obtém um transgênico, contudo cada um utiliza um modelo explicativo, o primeiro um modelo vegetal e o segundo, animal.

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Figura 1. Ilustração de como é elaborado uma planta transgênica. (MASSARINI et al, 2007)
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Figura 2. Ilustração demonstrando técnicas de produção de animais transgênicos. (OLIVEIRA et al)

    Pelas imagens é possível perceber que não existem somente plantas transgênicas, apesar destas serem os principais alvos das notícias dos meios de comunicação. Animais também são muito utilizados neste tipo de pesquisa, como pode ser observado na notícia do portal G1 no qual é explicado que se obteve vacas produtoras de insulina humana a partir de técnicas de transgenia; a insulina presente do leite seria isolada posteriormente em escala industrial e seria capaz, segundo a empresa produtora, de suprir a demanda pelo medicamento no país sede da pesquisa, Argentina. 

  Se por um lado as pesquisas em animais mostram-se promissoras, as pesquisas realizadas em vegetais são um pouco mais antigas e ainda mais polêmicas. Diversos órgãos ambientalistas e setores da sociedade afirmam que plantas transgênicas trazem riscos econômicos, ambientais e de saúde, como foi enfatizada na notícia do Greenpeace BrasilÉ verdadeira a informação de que plantas transgênicas podem ser um risco para o meio ambiente, imaginando o cenário em que uma planta se dispersa além do laboratório que a criou ou na perspectiva na qual a planta “mutante” possa diminuir a diversidade da planta “natural”. Porém, como marcado pelo post do blog Rainha Vermelha foi graças as pesquisas com transgênicos que atualmente se tem o milho e as grandes variedades de couves que encontramos nos supermercados.

     No quesito econômico, países com maior produção de transgênicos tendem a venderem mais do que aqueles que não o fazem, já que na grande maioria dos casos as sementes transgênicas são projetadas para necessitarem de menos agrotóxicos e sobreviverem melhor a intemperes climáticos e a pragas, criando assim desigualdade ente países. Outro ponto econômico e social muito debatido é o fato de que não existe falta de alimento e sim, má distribuição; pensando nacionalmente pode até ser verdade, mas globalmente não é bem assim. É graças aos transgênicos que a produção agrícola atingiu o patamar atual e tende a aumentar ainda mais, afinal a população do globo está aumentando. Tal ponto pode ser observado na afirmação do blog Rainha Vermelha:

   “E não, por favor não tente o argumento de que não temos um problema de falta de produção, mas sim de distribuição. Primeiro, se a produção atual é suficiente, ela é suficiente para a população atual, que tende a aumentar, e aí surge a dúvida, aumentamos a produtividade ou a área plantada. Segundo, a distribuição é desigual porque existem países mais ricos do que outros, com pessoas com mais alimento e pessoas com menos alimento. Se você acredita que o problema está na distribuição, você acredita que, por exemplo, um americano vai topar comer menos, para que um nigeriano possa comer mais. Isso não vai acontecer.” (IAMARINO, 2009)

   Porém na perspectiva de saúde é onde reside a maior das dúvidas. Céticos, ambientalistas e alguns cientistas apontam que a presença de genes diferentes dentro de uma planta seriam capazes de produzir toxinas, que causariam malefícios para o ser humano, além de poderem originar alergias nos consumidores a longo prazo, como bem estipulado pelo texto Transgênicos em debate. Por outro lado, plantas modificadas laboratorialmente permite a inserção de genes que originarão novas vitaminas e minerais, tornando-a mais saudável que a sua versão original; pensando no caso de alimentar uma população com problemas alimentares, a utilização de tais vegetais pode ser favorável. 

    Como você pode ter percebido o debate sobre o uso ou não de transgênicos é muito mais complexo do que se imagina, entretanto é preciso conhecer seu funcionamento para poder emitir uma opinião. Para continuarmos nossa explanação sobre o tema, nos próximos dias sairá nossa análise de produções culturais que ajudem a explicar um pouco mais o assunto.

        Por João Pedro Broday

Fontes:

NAHAS, T. ATUALIDADES BIOLÓGICAS FRESQUINHAS III. Disponível em <https://ciencianamidia.wordpress.com/?s=transgenicos&gt; Acesso 3 jun 2016.

IAMARINO, A. POR ALIMENTOS MAIS ARTIFICIAIS. Disponível em <http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/05/por-alimentos-mais-artificiais-i/#comments&gt; Acesso em 3 jun 2016.

OLIVEIRA, S. L; BALDERRAMAS, H. A.O QUE SÃO TRANSGÊNICOS? Disponível em <http://www2.ibb.unesp.br/nadi/Museu5_transmissao/Museu5_engenharia/Museu5_engenharia_transgenicos.htm&gt; Acesso 3 jun 2016.

GREENPEACE. Transgênicos perigo para a agricultura e biodiversidade. Acesso em <http://www.greenpeace.org/brasil/pt/O-que-fazemos/Transgenicos&gt; Acesso 3 jun 2016.

MASSARANI, L; NATÉRCIA, F. TRANSGÊNICOS EM DEBATE. Disponível em < http://www.museudavida.fiocruz.br/media/Transgenicos_adultos.pdf > Acesso 3 jun 2016.

PRESSE, F. VACAS PRODUZEM LEITE COM INSULINA HUMANA. Disponível em < http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL23335-5603,00-VACAS+PRODUZEM+LEITE+COM+INSULINA+HUMANA.html> Acesso em 3 jun 2016.

ALVES, G. S. A BIOTECNOLOGIA DOS TRANSGÊNICOS: PRECAUÇÃO É A PALAVRA DE ORDEM. HOLOS, Ano 20, outubro/2004 

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