Aquecimento Global: a Realidade pela Ficção

   Produções culturais como filmes, desenhos, séries, novelas, livros e músicas normalmente acabam por descrever eventos contemporâneos as suas criações, desta maneira, é natural que existam filmes que tratem do aquecimento global, seja de um modo ficcional ou realístico. Assim, até que ponto um filme consegue explicar um fenômeno como este sem se perder na ficção?

Cena do filme “O Dia Depois de Amanhã”, 2005.

   Escolher filmes para analisar é algo extremamente complicado, ainda mais tratando-se de ficção, por isto, resolvemos selecionar um documentário, “Uma Verdade Inconveniente”, e um blockbuster lançado no ano anterior ao documentário, “O Dia Depois de Amanhã”

   No primeiro filme por tratar-se de um documentário é esperado que suas informações sejam verídicas, enquanto o segundo não precisa ficar preso a realidade. Entretanto, algumas informações passadas em ambos os longas coincidem.

   No filme “O Dia Depois de Amanhã”, todos os eventos climáticos que se desenrolam ao longo dele, são causados pelo derretimento do gelo do Ártico, que ao atingir a corrente marítima do Atlântico Norte, causa um desiquilíbrio na salinidade desta. Muitos podem pensar que tal informação é incorreta ou então falsa, entretanto ela é real. O derretimento das calotas polares, que é feita de água doce, ao entrar em contato com a água salgada marinha causa danos que impediriam o funcionamento do chamado Cinturão Termohalino (ver imagem abaixo).

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Cena do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, na qual as setas representam o Cinturão Termohalino, que é formado graças as correntes marítimas e correntes eólicas.

    Segundo um documento do Instituto de Oceanografia, da Universidade de São Paulo, a água fria  possui uma capacidade maior de dissolução do CO2 do que a água morna. Por este ponto podemos pensar que um aumento da temperatura nos polos pode refletir numa menor dissolução do gás, já que a água destas regiões serão aquecidas. Ao diminuir a concentração de CO2 em água, mais deste está presente na atmosfera, ocasionando processos de aumento de temperatura, criando um ciclo vicioso.  Desta maneira, mais gelo das calotas derreterão levando a interrupção ou alteração da Cinturão Termohalino.  

   O trecho do documentário em que tais informações são expostas podem ser vista abaixo:

   Outro ponto que não foi levantado em nenhum dos dois longas, porém é real, é como ocorre o processo de acidificação oceânica. A água marinha superficial ao entrar em contato com o ar atmosférico rico em dióxido de carbono (CO2) reage formando íons bicarbonato, que são responsáveis pela diminuição do pH oceânico, refletindo na diminuição da vida marinha, principalmente corais e animais associados. (JÚNIOR, 2014)

   Se por um lado, “O Dia Depois de Amanhã” apresenta essa informação verídica, as consequências desta são extremamente exageradas ou então falsas, fazendo que com alguns ambientalistas sejam contra a exibição do filme. Em uma crítica ao filme pelo jornal The Guardian, o ambientalista George Monbiot, diz que “O Dia Depois de Amanhã é um grande filme, mas de ciência ruim” (“The Day After Tomorrow is a great movie and lousy science.”) Entretanto, o mesmo confirma que a proposta inicial do filme – o que citamos acima – levou a uma era glacial na Europa por dois séculos. 

   Provavelmente o maior erro científico do filme é tempo. Segundo Monbiot e Al Gore, houve uma era do gelo após a interrupção do Cinturão tal como o filme propõe,porém esta levou séculos para começar e acabar, enquanto o filme afirma que duraria menos de algumas semanas. 

   Percebemos portanto que o enredo principal do filme “Dia Depois de Amanhã” é uma sequência de erros científicos, porém baseados em uma verdade como pode ser bem compreendida pelo documentário, entretanto, podemos afirmar que ambos conseguem cumprir suas metas: alertar ao público sobre o aquecimento global, seja de maneira fantasiosa ou de modo verossímil.

    Para concluirmos esta postagem, vamos compartilhar a notícia que saiu no dia 9 de maio, no qual o Brasil conseguiu reduzir em quase 54% sua emissão de CO2 entre os anos de 2005 e 2010. Tal notícia foi divulgada pela ministra de Ciência,  Tecnologia  e Inovação, Emília Ribeiro. A pesquisa na qual a notícia é baseada afirma que tal queda na redução da emissão é em decorrência do uso da terra, ou seja, houve uma queda no desmatamento de biomas, principalmente Amazônia e Cerrado. 

   Percebemos portanto que o país ainda se vê interessado em cumprir a meta que assinou no Tratado de Kyoto no ano de 1997, no qual ficou estabelecido a redução em 5,2%, em relação ao ano de 1990, da emissão de gases do efeito estufa.. O Brasil por se tratar de um país em desenvolvimento, como a Índia, não era obrigado a cumprir tal meta.

   O que vocês acharam da escolha destes filmes? Deixem comentários com sugestões e críticas.

Por João Pedro Broday

   Fontes:

JÚNIOR, E. A.B. AQUECIMENTO GLOBAL E ACIDIFICAÇÃO OCEÂNICA: EFEITOS DA TEMPERATURA, SALINIDADE E DIÓXIDO DE CARBONO NO DESENVOLVIMENTO LARVAL DO CARANGUEJO INTERTIDAL Eriphia gonagra (CRUSTACEA, DECAPODA, ERIPHIIDAE). Tese de doutorado. Botucatu, 2014.

SALINIDADE OCEÂNICA. Disponível em < http://www.mares.io.usp.br/iof201/c3.html> Acesso em 14 maio 2016.

MONBIOT, G. A HARD RAIN’S A-GONNA FALL. Publicado em 14 maio 2004. Disponível em < http://www.theguardian.com/film/2004/may/14/climatechange > Acesso em 12 maio 2016.

LÉLIS, E.C; GARCIA, S. M. A PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NO PROTOCOLO DE KYOTO. XIII SIMPEP, Bauru, 2006. Disponível em < http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/982.pdf > Acesso em 14 maio 2016.

PROTOCOLO DE QUIOTO. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em < http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/protocolo-de-quioto > Acesso em 14 maio 2016.

EMISSÃO DE GÁS CARBÔNICO NO BRASIL CAI 53,5% ENTRE 2005 A 2010. Ministério do Meio Ambiente. Publicado em 9 maio 2016. Disponível em < http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2016/05/emissao-de-gas-carbonico-no-brasil-cai-53-5-de-2005-a-2010 > Acesso em 14 maio 2016.

SATO, O. T. CIRCULAÇÃO TERMOHALINA: CIRCULAÇÃO ABISSAL. Disponível em < ftp://io.usp.br/los/IOF0201/aula_100512b.pdf > Acesso em 19 maio 2016. 

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3 comentários em “Aquecimento Global: a Realidade pela Ficção

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